ser II

22:40


  Apercebi-me que sou uma fraude.
   Tudo o que sou ou pensa foi me dado por outro alguém. Nada em mim é realmente meu ou original. 
   Sou mais uma cópia de tudo o que existe por aí. E não sei ser eu, vivendo constantemente escondida pelas máscaras de hoje em dia. 
Porque é feio ser diferente. Porque é má educação ser honesto. Porque é falta de respeito ser verdadeiro.
   Mas que sei? Nada sei, obviamente. Nada para além do que me foi ensinado.
   Tornei-me máquina desta sociedade em que os bens se sobrepõem aos valores, em que é mais importante ser-se rico que feliz. 
   Mas que posso eu fazer se somos todos assim? Se pensamos e agimos todos da mesma maneira? Se somos todos ovelhas sem mentalidade própria?
   Apercebi-me que não sei ser eu. 
   Não sei pensar por mim ou se tenho realmente consciência.
   Eu não sei. Mas também não.
   Não sabes quem és sem tudo o que te foi imposto, erradamente. Não sabes ser outra coisa que não este robô que o mundo constrói todos os dias.
   Mas que sei eu? Nada sei. E cada vez menos sei.
  Não questiono o que me dizem. Não ponho em causa o que me ensinaram na escola. Não duvido do mundo.
   E cada vez menos sei. 
  Cada vez menos sei pensar por tanto mo ensinarem. Cada vez menos sei ser por tanto mo exigirem.
   Eu não sei. Mas tu também não.
 E assim caminhamos juntos para a mesma forca enquanto construímos cópias de nós mesmo.
  Sou uma fraude. Mas não sei ser de outra maneira. E tu também não.


Carolina C.

You Might Also Like

0 Storms

Mensagens populares